quinta-feira, 30 de maio de 2013

4˚ DIA – OURO PRETO

Acordamos cedo e partimos para o Centro de Informações Turísticas para pegar a orientação para nosso passeio. 

Decepção!!!! A maioria das atrações estava fechada na segunda-feira! Havia apenas algumas abertas e fomos nós.
Ouro Preto transpira história... por todo lado se fala na inconfidência mineira... as pedras dos calçamentos contam a história das tramas, as armações, as confabulações, os acontecimentos.... o vento sussurra pelas vielas e becos as histórias de amor dos poetas ... pode-se sentir o peso da traição. Caminhando por becos e ladeiras (e como tem ladeiras por aqui) pode-se tentar imaginar a vida naquela época.
Na praça central, de um lado um prédio imponente – o Museu da Inconfidência. Olhando para ele, do alto de um pedestal, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes... o mártir da Inconfidência...



“Joaquim José da Silva Xavier”, o Tiradentes (Fazenda do Pombal1 , batizado em 12 de novembro de 1746 —  Rio de Janeiro21 de abril de 1792) foi um dentistatropeiro, mineradorcomerciantemilitar e ativista político que atuou no Brasil colonial (1530-1815), mais especificamente nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Brasil, é reconhecido como mártir da Inconfidência, patrono cívico do Brasil, patrono também das Polícias Militares dos Estados e herói nacional.”

Por trás, outro prédio enorme, com ares de fortaleza, que é um museu de mineralogia. Ladeando a praça, casario antigo com suas fachadas com sacadas de ferro abrigando lojas, restaurantes etc...

Para onde se olha vê-se torres de igrejas – são muitas, algumas são exemplares da mais fina arte barroca. São obras de arte de Aleijadinho e de mestre Ataíde, dois artistas renomados da região.

 

 

 

 




“Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, (Ouro Preto, ca. 29 de agosto de 1730 ou, mais provavelmente, 1738 — Ouro Preto, 18 de novembro de 1814) foi um importante escultorentalhador e arquiteto do Brasil colonial. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, era filho natural de um respeitado mestre de obras e arquiteto portuguêsManuel Francisco Lisboa, e sua escrava africana, Isabel. Na certidão de batismo invocada por Bretas consta que Antônio, nascido escravo, fora batizado em 29 de agosto de 1730 na então chamada Vila Rica, atual Ouro Preto, na freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, tendo como padrinho Antônio dos Reis e sendo alforriado na ocasião por seu pai e senhor. Na certidão não consta a data de nascimento da criança, que pode ter ocorrido alguns dias antes.7  Entretanto, há argumentos fortes que levam atualmente a se considerar mais provável que tenha nascido em 1738, pois em sua certidão de óbito consta como data de seu falecimento 18 de novembro de 1814. Por volta dos 50 anos de idade desenvolveu uma doença degenerativa e passou a ter deformidades nas mãos e pés mas mesmo assim realizava seus trabalhos pedindo a um ajudante para amarrar ferramentas a seus punhos.”

“Manuel da Costa Ataíde1 , mais conhecido como Mestre Ataíde, (Mariana, batizado em 18 de outubro de1762 – Mariana2 de fevereiro de 1830), foi um militar e celebrado pintor e decorador brasileiro. Foi um importante artista do Barroco-Rococó mineiro e teve uma grande influência sobre os pintores da sua região através de numerosos alunos e seguidores, os quais, até a metade do século XIX, continuaram a fazer uso de seu método de composição, particularmente em trabalhos de perspectiva no teto de igrejas. Documentos da época fazem frequentemente referências a ele como professor de pintura.”

Ouro Preto nasceu do ajuntamento de vilas formadas em torno das minas – cada uma de um fazendeiro/minerador, com seus escravos, vindos de partes distintas da África. As ordens leigas – Terceiras, Irmandades, dos escravos  etc... foram importantes na transmissão dos ensinamentos da fé, na cristianização e formavam correntes de solidariedade. Cada uma construía suas Igrejas e por isso vemos essa profusão de Igrejas na cidade.
Hoje visitamos:
1.      Igreja do Carmo – ultimo projeto do pai do Aleijadinho, em estilo barroco-rococó – com pouco ouro e delicados desenhos dourados. O teto foi pintado por mestre Ataíde. Possui azulejos portugueses legítimos. A frente  um brasão em arte barroca.
2.      Museu do oratório – muito bem organizado, com os vários tipos de oratórios que existiam entre as famílias.
3.      Casa de Contos – antiga casa da moeda da Vila Rica;  local onde era pesado o ouro e transformado em barras.
4.      Ponte da Casa de Contos: com um jardim por trás.
5.      Largo de Marília – em frente a casa de Maria Dorotéia (a Marília de Dirceu) o grande amor do poeta Tomás Antonio Gonzaga; ali tem o chafariz de Marília.
6.      Casa de Ópera (ou Museu Municipal) – o mais antigo teatro em utilização nas américas – com capacidade para 300 pessoas.
7.      Casa de Tomáz Antonio Gonzaga – passamos pela casa de um dos poetas e inconfidentes, que após a sua prisão foi exilado em Moçambique. Ele viveu um grande amor por Maria Doroteia Joaquina de Seixas,  amor  contado no livro, Marília de Dirceu, publicado no ano em que foi exilado. Compunha-se de 33 liras, em formato de árcades...

“Tu não verás, Marília, cem cativos
Tirarem o cascalho, e a rica, terra,
Ou dos cercos dos rios caudalosos,
Ou da minada serra.
Não verás separar ao hábil negro
Do pesado esmeril a grossa areia,
E já brilharem os granetes de ouro
No fundo da bateia.
Não verás derrubar os virgens matos;
Queimar as capoeiras ainda novas;
Servir de adubo à terra a fértil cinza;
Lançar os grãos nas covas.
Não verás enrolar negros pacotes
Das secas folhas do cheiroso fumo;
Nem espremer entre as dentadas rodas
Da doce cana o sumo.
Verás em cima da espaçosa mesa
Altos volumes de enredados feitos;
Ver-me-ás folhear os grande livros,
E decidir os pleitos.
Enquanto revolver os meus consultos.
Tu me farás gostosa companhia,
Lendo os fatos da sábia mestra história,
E os cantos da poesia.
Lerás em alta voz a imagem bela,
Eu vendo que lhe dás o justo apreço,
Gostoso tornarei a ler de novo
O cansado processo.
Se encontrares louvada uma beleza,
Marília, não lhe invejes a ventura,
Que tens quem leve à mais remota idade
A tua formosura.”

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